7 de abril de 2011

Tem gente que veio só olhar

A vida perfeita aconteceu há uns 14 anos atrás. Amava tudo, homem, casa, cachorro, localização da casa. Não escapava nada, tudo para mim parecia perfeito. Não tinha um único pedacinho que eu queria mudar. Tudo para mim era precisoso e eu sabia que anos antes de me transformar na pessoa que eu queria ser eu vivia a vida que eu queria ter. E olhava para mim mesma lá do alto sabendo que um dia eu teria que lagar esta vida maravilhosa para me tornar alguém. Chorei, chorei muito quando tive que decidir sair. E voltei várias vezes. Sofri. Arrumei alguém para me consolar e depois fugi. Fui para muito longe, me refugiar, me curar. E é longo o percurso da cura. Demora. Enquanto isso, vive-se um arremedo de vida, sem sentimento, sem emoção. Será que é preciso deixar a paixão de lado? Será que a consciência faz com que a paixão deixe de ser importante?  Será que é isso a cura? Olhar a vida como se nada tivesse muita importância?

Tem gente que veio só olhar, mas eu não. Preciso tocar em tudo e me lambuzar. Sei que a queda é grande quando se cai. Sou forte, caio e me levanto.

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