Era uma conta de luz cadastrada em débito automático no Unibanco. A vida era uma maravilha, todo mês alguém ia no endereço, verificava quanto de energia havia sido gasto e gerava um boleto. O boleto ia para o Unibanco e no dia do vencimento o valor devido era descontado da conta corrente da usuária.
Eis que um mês a usuária viajou e enquanto estava fora o mundo ficou de pernas para o ar. O Unibanco deixou de ser Unibanco e passou a ser Itaú e todos os bancos entraram em greve. Assim, quando a usuária voltou de viagem lá estava a conta de luz esperando ser paga.
Oh Deus!!
- Tem certeza que ão foi debitada automaticamente? Perguntou a usuária para a conta
- Infelizmente, não. respondeu a conta cabisbaixa.
- Tudo bem, não precisa se estressar, vamos na agência do Itau aqui no trabalho e pagamos rapidinho.
Na agência do Itau:
- O banco não aceita a conta da Coelba minha senhora.
- Ai, ai (já começando a sofrer pelo desconforto que vem por aí)!! E o débito automático?
- Se estava cadastrado no Unibanco então vai ser pago normalmente.
- Mas a conta venceu no dia 5 e não foi debitada.
- Minha senhora, não posso fazer nada. Você vai precisar pagar esta conta em outro lugar.
- Mas todo mês vai ser assim?
- Não, no mês que vem o débito automático já deve funcionar.
Frustrada, mas com confiança de que tudo se resolve, a usuária resolve pagar a conta em outro lugar. Estava no shopping e se lembrou que tinha um supermercado por lá e que eles aceitavam pagamento de contas no caixa. Legal! Vou resolver isto logo. Pensou a usuária. Perguntou ao caixa como poderia pagar a conta e este lhe respondeu que naquele momento o sistema estava fora do ar.
- Tudo bem, vamos tentar outro dia, falou a usuária para a conta de luz que já estava tristinha dentro da bolsa.
Alguns dias depois, munida de coragem e paciência a usuária resolveu ir numa casa lotérica pagar a conta. Lá chegando um funcionário vendo o boleto da dita empresa na mão da usuária lhe cutucou indicando o cartaz que dizia:
NÃO ACEITAMOS CONTA DA COELBA
- Poxa, logo essa, essa que eu tenho aqui na minha mão já meio amassadinha e tristonha?
- Desculpa-me minha senhora, mas você sabe que a Coelba não paga direito?
- Tá bom. Vou tentar em outro lugar.
Como estava com disposição e precisando de uma desculpa para não ir a academia a usuária foi ao supermercado novamente. Chegando lá confiante, a usuária foi direto num caixa perguntar como funcionava o pagamento de contas. A moça grunhiu e apontou. Não muito instruida na comunicação por grunhidos e gestos a usuária perguntou à caixa o que ela estava querendo dizer e esta lhe respondeu com a costumeira educação a seguinte informação:
- Ali.
A usuária é um pouco esperta e entendeu logo que não eram todas os caixas que aceitavam o pagamento de conta. Logo se dirigiu para o caixa adequado. Chegando lá, viu que tinha uma fila, mas como estava mesmo disposta a não perder o humor, resolveu encarar a fila num boa, distraindo-se com a internet do seu smartphone. O tempo passou rápido e logo era a sua vez.
- MInha senhora, não posso pagar a sua conta.
- Mas porque? respondeu a usuária mantendo a calma.
- Mas porque? perguntou a conta na mão da funcionária já tremendo de desespero.
- Esta conta não tem código de barras.
- Ah é! Falou a usuária! Devia ter sido descontada pelo débito automático!! Volto aqui amanhã, obrigada.
Já no carro a usuária consolou a conta de luz que a esta altura estava em prantos.
- Não se preocupe, chego em casa e imprimo uma 2a. via. Acordo cedo amanhã e antes de todos os compromissos venho até o supermercado de novo e pago sem problemas.
A conta estava mesmo desolada, suspirou e virou-se de lado, sentindo-se rejeitada.
Na manhã seguinte, 2a via impressa, a usuária se dirigiu confiante até o supermercado. A fila estava maior do que na noite anterior, mas com bom humor, pão de queijo e coca-cola na mão confiou de que seria rápido novamente. E foi, em menos de meia hora já estava sendo atendida. Aproximou-se do caixa e a conta de luz, já na sua roupa de 2a via sorriu confiante. A funcionária do supermercado esfregou o código de barras na leitora algumas vezes e desistiu, passando a conta para o outro caixa que também estava atendendo os pagamentos. Este por sua vezes esfregou a coitadinha mais algumas vezes e nada. A conta de luz debulhava-se em lágrimas. A usuária pediu:
- O senhor não pode digitar o código em vez de passar na leitora?
- Não minha senhora, porque nós não nos responsabilizamos por números digitados errados.
A usuária suspirou, a conta de luz revoltou-se, já querendo se rasgar.
- Calma, vamos ligar para Coelba e tentar resolver.
- Alô, estou tentando pagar a conta de luz e etc. Contou para a atendente todas as aventuras dos últimos dias. A ligação caiu. Tentou novamente e a atendente falou que entendia a situação mas estava sem sistema e não poderia ajudar. A usuária tentou mais uma vez e encontrou do outro lado uma alma mais caridosa que entendeu toda a problemática e explicou.
- O código de barras da 2a. via está errado porque devido a greve dos bancos o vencimento foi postergado gerando um código de barras novo. Por favor anote o nóvo código e tente ir numa agência dos correios ou numa farmácia.
A usuária anotou o novo código numérico já meio sem esperanças, e se direcionou a farmácia já que o correios da cidade onde ela mora não abre aos sábados. Chegando lá, uma funcionária sorridente veio lhe atender e prometeu que a conta seria paga desta vez. Tentou o código de barras, uma, duas, três vezes e nada. A pobre continha já chorava desesperada
- Eu quero ser paga! Eu quero ser paga!
A funcionária com paciência falou:
- Não se desespere, vou digitar o código numérico e tudo se acertará. Ela digitou o código novo e em alguns segundos a informação da conta apareceu na tela do computador. Ela informou o valor a usuária que prontamente lhe entregou. A conta foi autenticada e ambas, usuária e conta, saíram da farmácia aliviadas.
Moral da história: Se você já está sem água, não se desespere porque você pode também ficar sem luz.
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