Desde o fim de 2009, quando decidi ler todos os livros escritos pela Jane Austen, venho pensado muito sobre a condição das mulheres na sociedade e de como ela evoluiu desde o século XIX. Sempre tive este desconforto em relação a desigualdade entre os sexos, que na minha geração nem é tão grande assim, mas como absorvi muito da geração da minha mãe, era algo para mim muito aborrecedor imaginar que não teria as mesmas oportunidades que um homem. Muito pequena determinei-me a conquistar o mundo como um homem e isto norteou a escolha da minha profissão e das minhas amizades. Curiosamente, sou bem dotada de características masculinas com objetividade, praticidade etc. Apesar de tudo, minha alma feminina choca-se freqüentemente com esta couraça masculina e de uns tempos pra cá venho me questionando se tudo isto não me deixou confusa demais.
Estou em tempos de resgate e o debate da condição feminina na sociedade e de suas características formaram-se ainda mais importantes para mim. Meu livro ainda não escrito tem uma heroína que consegue alcançar seus objetivos por meio da sua delicadeza. Algo que percebi somente agora ao escrever este post.
Como parte desta reflexão terminei de ler um livro que me trouxe uma contribuição importante para meu avanço nesta investigação, o qual compartilho com vocês abaixo.
"Às vezes, é preciso adotar o vestuário masculino para se para se poupar, se a mulher pretende ir a luta no mundo e afirmar seus valores femininos. Penso em Rosalind, heroína de Como gostais, de Shakespeare. Ela precisou se disfarçar para escapar aos maléficos desígnios do duque que havia destronado seu pai, e escolheu continuar disfarçada para verificar até que ponto era verdadeiro o amor de Orlando, em vez de seduzí-lo aceitando as projeções femininas que ele fazia. Se a mulher se disfarça de homem, pode verificar como seu possível amor se comporta consigo, como amigo, e também como é visto seu trabalho pela cultura, quando não se lha aplicam projeções coletivas. [...] Embora a mim pareça necessário este passo no caminho da libertação das mulheres, sinto que agora é chegado o momento de usarem suas próprias vestimentas e de falarem segundo sua sabedoria e força femininas. O feminino - o que é? Não acho que possamos definí-lo, entretanto podemos experimentá-lo e, a partir desta experiência, tentar expressá-lo através de símbolos e imagens, formas de arte por meio das quais possamos estar no mistério daquela experiência e, não obstante, conseguir traduzí-la em palavra.
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