31 de janeiro de 2011

Meus livros voltaram!

Ano passado decidi finalmente comprar uma estante de verdade para guardar meus preciosos livros (já que eles continuavam se proliferando e as prateleiras avulsas já não aguentavam mais). Fiquei super feliz de me dar o direito de gastar uma boa grana numa estante, ainda temporária, mas menos provisória. Escolhi a estante, comprei, pintei o quarto, montei a mesa e tchbum! Choveu. A cântaros! Acordei numa poça de água vermelha. Não, não era sangue. Apenas o meu tapete desbotando numa lagoa debaixo da cama. Pobres livros. Estavam no chão, esperando a estante ser entregue.

Bueno, ante a terrível ameça de mais chuva e mais alagamento e com um prejuízo de 3 livros (entre eles o Pierce, minha bíblia de acústica), resolvi estocá-los, até tudo ficar mais calmo, na casa seca de uma amiga.

Gira o mundo, põe ele de ponta cabeça, procura casa, perde casa, procura casa, desiste da casa, procura casa, fica com medo da casa, acha casa, compra casa, muda, tira férias, viaja a trabalho, aff, aff, volta, monta estante, pós, pós, pós, vai passar Natal com irmão, vai passar Ano Novo com amiga, aff, aff, ih... empregada de férias! Tá, ou vai ou racha! E assim, 9 meses depois, trabalho novo, casa nova, mais ou menos descansada e organizada, fui buscar meus livros.

Ia deixar passar sem comentar, mas virei para trás e vi meus livrinhos recém arrumados, organizados na estante que há meses espera ser útil e me emocionei. Piegas, eu sei, mas me confortou o coração.

Eu quero um Houaiss!!

Estou namorando um Houaiss há mais ou menos um ano. Foi por esta época, ano passado que eu o vi pela primeira vez na Saraiva... Abracei-o! Foi mais forte do que eu. Nunca pensei que eu era destas que sai por aí abraçando dicionário. Mas sou e toda vez que eu o vejo, na Saraiva ou na Cultura, eu me colo a ele novamente, louca, desvairada, prometendo levá-lo para casa. O que me separa do meu lindo Houaiss laranja são uns parcos R$ 250,00 (ou R$ 230,00 se tiver o mais Cultura) que eu acabo sempre gastando em outras coisas (atualmente em material de construção). Bem, precisava de uma estante para colocar o Houaiss e de uma casa para colocar a estante. E por aí se esvai o meu rico dinheirinho, e o Houaiss adiado por mais um tempo.

Os Maias

Os MaiasOs Maias by José Maria Eça de Queirós

My rating: 4 of 5 stars


Terminei o livro e fiquei triste. Quem poderia prever?



O livro foi escrito de uma forma que não era para ter fim e sim continuar eternamente a descrever os fatos cotidianos da vida diletante dos fidalgos de Lisboa. O enredo, a trágica estória dos Maias, muitas vezes não passa de pano de fundo para se descrever hábitos e costumes, a criticar uma sociedade que se mostra prostrada, observando e admirando as outras culturas européias, perdida em sua tentativa de se equiparar a França (em elegância) e a Inglaterra (em objetividade, em técnica e conhecimento).



Podeira continuar a crítica e a crônica por mais alguns séculos e explicar porque no Brasil somos hoje como somos, não muito diferentes de Portugal do século XIX. Mas termina, de forma irônica, contrapondo romantismo e realismo, mostrando a crua percepção de que sonhamos mais do que estamos dispostos a fazer, sem contudo ser pessimista.



Talvez minha alma romântica quisesse mais sonho e menos crítica, mas adorei o livro e sobretudo a deliciosa narrativa do Eça.



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