Único poeta que tolero por pura identificação de sentimentos.
Tabacaria
...Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! ...
Este blog, criado para me ajudar a escrever um livro, aos poucos se transforma em outra coisa.
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23 de dezembro de 2011
19 de dezembro de 2011
Reflexão sobre a condição das mulheres
Desde o fim de 2009, quando decidi ler todos os livros escritos pela Jane Austen, venho pensado muito sobre a condição das mulheres na sociedade e de como ela evoluiu desde o século XIX. Sempre tive este desconforto em relação a desigualdade entre os sexos, que na minha geração nem é tão grande assim, mas como absorvi muito da geração da minha mãe, era algo para mim muito aborrecedor imaginar que não teria as mesmas oportunidades que um homem. Muito pequena determinei-me a conquistar o mundo como um homem e isto norteou a escolha da minha profissão e das minhas amizades. Curiosamente, sou bem dotada de características masculinas com objetividade, praticidade etc. Apesar de tudo, minha alma feminina choca-se freqüentemente com esta couraça masculina e de uns tempos pra cá venho me questionando se tudo isto não me deixou confusa demais.
Estou em tempos de resgate e o debate da condição feminina na sociedade e de suas características formaram-se ainda mais importantes para mim. Meu livro ainda não escrito tem uma heroína que consegue alcançar seus objetivos por meio da sua delicadeza. Algo que percebi somente agora ao escrever este post.
Como parte desta reflexão terminei de ler um livro que me trouxe uma contribuição importante para meu avanço nesta investigação, o qual compartilho com vocês abaixo.
"Às vezes, é preciso adotar o vestuário masculino para se para se poupar, se a mulher pretende ir a luta no mundo e afirmar seus valores femininos. Penso em Rosalind, heroína de Como gostais, de Shakespeare. Ela precisou se disfarçar para escapar aos maléficos desígnios do duque que havia destronado seu pai, e escolheu continuar disfarçada para verificar até que ponto era verdadeiro o amor de Orlando, em vez de seduzí-lo aceitando as projeções femininas que ele fazia. Se a mulher se disfarça de homem, pode verificar como seu possível amor se comporta consigo, como amigo, e também como é visto seu trabalho pela cultura, quando não se lha aplicam projeções coletivas. [...] Embora a mim pareça necessário este passo no caminho da libertação das mulheres, sinto que agora é chegado o momento de usarem suas próprias vestimentas e de falarem segundo sua sabedoria e força femininas. O feminino - o que é? Não acho que possamos definí-lo, entretanto podemos experimentá-lo e, a partir desta experiência, tentar expressá-lo através de símbolos e imagens, formas de arte por meio das quais possamos estar no mistério daquela experiência e, não obstante, conseguir traduzí-la em palavra.
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Estou em tempos de resgate e o debate da condição feminina na sociedade e de suas características formaram-se ainda mais importantes para mim. Meu livro ainda não escrito tem uma heroína que consegue alcançar seus objetivos por meio da sua delicadeza. Algo que percebi somente agora ao escrever este post.
Como parte desta reflexão terminei de ler um livro que me trouxe uma contribuição importante para meu avanço nesta investigação, o qual compartilho com vocês abaixo.
"Às vezes, é preciso adotar o vestuário masculino para se para se poupar, se a mulher pretende ir a luta no mundo e afirmar seus valores femininos. Penso em Rosalind, heroína de Como gostais, de Shakespeare. Ela precisou se disfarçar para escapar aos maléficos desígnios do duque que havia destronado seu pai, e escolheu continuar disfarçada para verificar até que ponto era verdadeiro o amor de Orlando, em vez de seduzí-lo aceitando as projeções femininas que ele fazia. Se a mulher se disfarça de homem, pode verificar como seu possível amor se comporta consigo, como amigo, e também como é visto seu trabalho pela cultura, quando não se lha aplicam projeções coletivas. [...] Embora a mim pareça necessário este passo no caminho da libertação das mulheres, sinto que agora é chegado o momento de usarem suas próprias vestimentas e de falarem segundo sua sabedoria e força femininas. O feminino - o que é? Não acho que possamos definí-lo, entretanto podemos experimentá-lo e, a partir desta experiência, tentar expressá-lo através de símbolos e imagens, formas de arte por meio das quais possamos estar no mistério daquela experiência e, não obstante, conseguir traduzí-la em palavra.
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Página em branco
Há certos dias na vida da gente em que o passado deixa de fazer sentido e o futuro ainda não se identificou. Chamo estes dias de páginas em branco. Um mundo inteiro de possibilidades, o início de uma nova estória, a incerteza de por onde começar. Qualquer coisa que se escreva vai dar o rumo para os próximos acontecimentos, então vêm aquela insegurança. Porque cria-se a expectativa de que terá de ser bom, superar a estória anterior em colorido e importância. Ao mesmo tempo, há o relaxamento de se perceber que uma etapa anterior foi finalizada.
Páginas em branco são importantes. São paradas nas nossas estórias. Pausas para respirar, para se encontrar com o eu interno, superior e sábio. Uma oportunidade para ouvir a própria música e percebê-la com todas as suas nuances e cores. Mudar o rumo dos acontecimentos ou se certificar que é neste mesmo rumo que devemos permanecer, escrevendo mais um capítulo.
Páginas em branco são importantes. São paradas nas nossas estórias. Pausas para respirar, para se encontrar com o eu interno, superior e sábio. Uma oportunidade para ouvir a própria música e percebê-la com todas as suas nuances e cores. Mudar o rumo dos acontecimentos ou se certificar que é neste mesmo rumo que devemos permanecer, escrevendo mais um capítulo.
2 de julho de 2011
Nós
Quando eu era criança eu fiquei fascinada por uma gravura com inúmeros tipos de nós de marinheiro. A partir deste momento fiquei curiosa e resolvi aprender a fazer estes nós. Como inúmeras outras coisas na vida, não levei este plano adiante, apesar do fascínio existir até hoje. Por outro lado me especializei em outros tipos de nós, os emociocionais.
Ao longo da vida, por medo de me expor frágil na frente dos outros, fui me enrolando em inúmeros subterfúgios para esconder e camuflar meus sentimentos de forma que hoje tenho dificuldades em entendê-los. E agora me deparo com um grande e difícil nó nas mãos, como às vezes acontece com as correntinhas de ouro que ficam guardadas dentro de uma sacola. Por curiosidade, também sou fascinada desde criança em desatar nós e pelos anos a fora já foram várias correntinhas de ouro de amigos e amigas que já salvei.
Portanto, não importa o tamanho do nó ou o grau de dificuldade, eu sei que tenho paciência suficiente para desfazê-lo.
Ao longo da vida, por medo de me expor frágil na frente dos outros, fui me enrolando em inúmeros subterfúgios para esconder e camuflar meus sentimentos de forma que hoje tenho dificuldades em entendê-los. E agora me deparo com um grande e difícil nó nas mãos, como às vezes acontece com as correntinhas de ouro que ficam guardadas dentro de uma sacola. Por curiosidade, também sou fascinada desde criança em desatar nós e pelos anos a fora já foram várias correntinhas de ouro de amigos e amigas que já salvei.
Portanto, não importa o tamanho do nó ou o grau de dificuldade, eu sei que tenho paciência suficiente para desfazê-lo.
7 de abril de 2011
Tem gente que veio só olhar
A vida perfeita aconteceu há uns 14 anos atrás. Amava tudo, homem, casa, cachorro, localização da casa. Não escapava nada, tudo para mim parecia perfeito. Não tinha um único pedacinho que eu queria mudar. Tudo para mim era precisoso e eu sabia que anos antes de me transformar na pessoa que eu queria ser eu vivia a vida que eu queria ter. E olhava para mim mesma lá do alto sabendo que um dia eu teria que lagar esta vida maravilhosa para me tornar alguém. Chorei, chorei muito quando tive que decidir sair. E voltei várias vezes. Sofri. Arrumei alguém para me consolar e depois fugi. Fui para muito longe, me refugiar, me curar. E é longo o percurso da cura. Demora. Enquanto isso, vive-se um arremedo de vida, sem sentimento, sem emoção. Será que é preciso deixar a paixão de lado? Será que a consciência faz com que a paixão deixe de ser importante? Será que é isso a cura? Olhar a vida como se nada tivesse muita importância?
Tem gente que veio só olhar, mas eu não. Preciso tocar em tudo e me lambuzar. Sei que a queda é grande quando se cai. Sou forte, caio e me levanto.
Tem gente que veio só olhar, mas eu não. Preciso tocar em tudo e me lambuzar. Sei que a queda é grande quando se cai. Sou forte, caio e me levanto.
29 de março de 2011
Sim, nova postagem
Vou fazer mais uma postagem em Março para melhorar a minha média. Hoje estou meio trapaceira. Trapaceei no trabalho. Oops!! Sabe aquelas horas em que o ótimo é inimigo do bom? Bem aconteceu hoje. Então trapaceei meu ego de querer tudo perfeito e mandei ver. Agora estou trapaceando no blog porque não tenho nada muito interessante mesmo para escrever, mas como 1 post por mês é muito pouco estou trapaceando com este que vai dar em lugar nenhum.
O que anda acontecendo? Aceitei o desafio de escrever um roteiro de cinema em abril. Estou só no aguardo da 6a. feira para começar a maratona. Vamos ver no que vai dar. Já tenho o enredo e por ser uma estória familiar, deve ser razoavelmente fácil terminar. Razoavelmente porque quando escrevi o meu mestrado, nos melhores dias eu consegui escrever 4 páginas. Isso com dedicação exclusiva e figuras para encher linguiça. Então escrever 3 páginas por dia, todo dia, tendo ainda que trabalhar, nadar, ir a pós, dar atenção aos cachorros etc não vai ser fácil não. Mas desafio é comigo e irei me apresentar a 00:01 do dia 1o. de abril para começar a minha maratona cinematográfica. Estou contente com a perpectiva e cada dia mais convicta de que eu tenho mesmo que mergulhar nesta onda de escrever. Tenho pensado com meus botões e descobri que eu tenho muito medo de me comprometer com qualquer coisa. Cachorro, casa, trabalho, namorado etc. Doença mesmo, pânico. Agora está ainda pior, porque ao remexer na sujeira ela fede e a imaginação anda a mil para evitar o contato mundano. Então, preciso parar de me atrasar na vida day dreaming (não é o máximo esta expressão?) e vomitar tudo no papel, no teclado ou em qualquer meio físico que possa ficar para a posteridade. Perdão da imagem chula, mas vômito é mesmo a palavra certa porque até sair algo bom, tenho que expurgar os podres.
Estou escatológica hoje, mas que preocupação qual o quê? Liberto-me dos rótulos. Preocupo-me em ser livre, mas me mantenho amarrada a inúmeros pré-conceitos que nem são meus. Herdei-os e eles se chacoalham na minha cabeça. Pois para eles preparei uma saída e já eu destravo a rolha. E vão-se pelo ralo que é o melhor caminho para eles.
O que anda acontecendo? Aceitei o desafio de escrever um roteiro de cinema em abril. Estou só no aguardo da 6a. feira para começar a maratona. Vamos ver no que vai dar. Já tenho o enredo e por ser uma estória familiar, deve ser razoavelmente fácil terminar. Razoavelmente porque quando escrevi o meu mestrado, nos melhores dias eu consegui escrever 4 páginas. Isso com dedicação exclusiva e figuras para encher linguiça. Então escrever 3 páginas por dia, todo dia, tendo ainda que trabalhar, nadar, ir a pós, dar atenção aos cachorros etc não vai ser fácil não. Mas desafio é comigo e irei me apresentar a 00:01 do dia 1o. de abril para começar a minha maratona cinematográfica. Estou contente com a perpectiva e cada dia mais convicta de que eu tenho mesmo que mergulhar nesta onda de escrever. Tenho pensado com meus botões e descobri que eu tenho muito medo de me comprometer com qualquer coisa. Cachorro, casa, trabalho, namorado etc. Doença mesmo, pânico. Agora está ainda pior, porque ao remexer na sujeira ela fede e a imaginação anda a mil para evitar o contato mundano. Então, preciso parar de me atrasar na vida day dreaming (não é o máximo esta expressão?) e vomitar tudo no papel, no teclado ou em qualquer meio físico que possa ficar para a posteridade. Perdão da imagem chula, mas vômito é mesmo a palavra certa porque até sair algo bom, tenho que expurgar os podres.
Estou escatológica hoje, mas que preocupação qual o quê? Liberto-me dos rótulos. Preocupo-me em ser livre, mas me mantenho amarrada a inúmeros pré-conceitos que nem são meus. Herdei-os e eles se chacoalham na minha cabeça. Pois para eles preparei uma saída e já eu destravo a rolha. E vão-se pelo ralo que é o melhor caminho para eles.
9 de março de 2011
Love, Love, Love
Não acredito que outro mês se passou e eu não escrevi nada. Putz, nunca terei sucesso, assim!!!
Acabei de ler Persuasion e apesar de ter gostado do livro, estou num daqueles momentos estranhos sobre amor e relacionamento em que o final feliz de um livro mais me faz ficar cética do que sonhadora. E na minha indecisão sobre o que comentar sobre o livro caí na tentação de colar comentários de outras pessoas. Tá, não necessariamente colar, mas o diálogo estático da leitura dos comentários dos outros sobre uma obra recém-lida sempre me ajuda a organizar os pensamentos.
Mesmo depois de alguma leitura, ainda não me decidi sobre o que escrever (ou como) e minha resenha continua não-publicada. Estou mesmo numa fase em que todas as minhas crenças estão sendo chacoalhadas para se rearranjarem de outra forma e não estou com a menor pressa (surprisingly!!) de tentar pôr ordem neste caos. Portanto a resenha não tem data ainda para acontecer
Se de nada adiantou vasculhar os comentários dos outros, decerto o comentário de um leitor pôs ainda mais lenha na minha fogueira caótica de sentimentos e reflexões sobre relacionamentos e amor. E por enquanto, meu mais novo lema e frase a ser lembrada 24 horas por dia até que seu significado seja completamente absorvido, veio até mim em letras garrafais e neônicas graças ao Trevor, pessoa que desconheço, mas que com um comentário sensível e pertinente, filosofa sobre o amor e os relacionamentos.
Então, para todo o sempre e até durar o nosso estoque, não se esqueçam do novo mantra:
Acabei de ler Persuasion e apesar de ter gostado do livro, estou num daqueles momentos estranhos sobre amor e relacionamento em que o final feliz de um livro mais me faz ficar cética do que sonhadora. E na minha indecisão sobre o que comentar sobre o livro caí na tentação de colar comentários de outras pessoas. Tá, não necessariamente colar, mas o diálogo estático da leitura dos comentários dos outros sobre uma obra recém-lida sempre me ajuda a organizar os pensamentos.
Mesmo depois de alguma leitura, ainda não me decidi sobre o que escrever (ou como) e minha resenha continua não-publicada. Estou mesmo numa fase em que todas as minhas crenças estão sendo chacoalhadas para se rearranjarem de outra forma e não estou com a menor pressa (surprisingly!!) de tentar pôr ordem neste caos. Portanto a resenha não tem data ainda para acontecer
Se de nada adiantou vasculhar os comentários dos outros, decerto o comentário de um leitor pôs ainda mais lenha na minha fogueira caótica de sentimentos e reflexões sobre relacionamentos e amor. E por enquanto, meu mais novo lema e frase a ser lembrada 24 horas por dia até que seu significado seja completamente absorvido, veio até mim em letras garrafais e neônicas graças ao Trevor, pessoa que desconheço, mas que com um comentário sensível e pertinente, filosofa sobre o amor e os relacionamentos.
Então, para todo o sempre e até durar o nosso estoque, não se esqueçam do novo mantra:
To have both sexual attraction and mental attraction with one single ‘other person’ is perhaps really asking too much and just being greedy..
31 de janeiro de 2011
Meus livros voltaram!
Ano passado decidi finalmente comprar uma estante de verdade para guardar meus preciosos livros (já que eles continuavam se proliferando e as prateleiras avulsas já não aguentavam mais). Fiquei super feliz de me dar o direito de gastar uma boa grana numa estante, ainda temporária, mas menos provisória. Escolhi a estante, comprei, pintei o quarto, montei a mesa e tchbum! Choveu. A cântaros! Acordei numa poça de água vermelha. Não, não era sangue. Apenas o meu tapete desbotando numa lagoa debaixo da cama. Pobres livros. Estavam no chão, esperando a estante ser entregue.
Bueno, ante a terrível ameça de mais chuva e mais alagamento e com um prejuízo de 3 livros (entre eles o Pierce, minha bíblia de acústica), resolvi estocá-los, até tudo ficar mais calmo, na casa seca de uma amiga.
Gira o mundo, põe ele de ponta cabeça, procura casa, perde casa, procura casa, desiste da casa, procura casa, fica com medo da casa, acha casa, compra casa, muda, tira férias, viaja a trabalho, aff, aff, volta, monta estante, pós, pós, pós, vai passar Natal com irmão, vai passar Ano Novo com amiga, aff, aff, ih... empregada de férias! Tá, ou vai ou racha! E assim, 9 meses depois, trabalho novo, casa nova, mais ou menos descansada e organizada, fui buscar meus livros.
Ia deixar passar sem comentar, mas virei para trás e vi meus livrinhos recém arrumados, organizados na estante que há meses espera ser útil e me emocionei. Piegas, eu sei, mas me confortou o coração.
Bueno, ante a terrível ameça de mais chuva e mais alagamento e com um prejuízo de 3 livros (entre eles o Pierce, minha bíblia de acústica), resolvi estocá-los, até tudo ficar mais calmo, na casa seca de uma amiga.
Gira o mundo, põe ele de ponta cabeça, procura casa, perde casa, procura casa, desiste da casa, procura casa, fica com medo da casa, acha casa, compra casa, muda, tira férias, viaja a trabalho, aff, aff, volta, monta estante, pós, pós, pós, vai passar Natal com irmão, vai passar Ano Novo com amiga, aff, aff, ih... empregada de férias! Tá, ou vai ou racha! E assim, 9 meses depois, trabalho novo, casa nova, mais ou menos descansada e organizada, fui buscar meus livros.
Ia deixar passar sem comentar, mas virei para trás e vi meus livrinhos recém arrumados, organizados na estante que há meses espera ser útil e me emocionei. Piegas, eu sei, mas me confortou o coração.
Eu quero um Houaiss!!
Estou namorando um Houaiss há mais ou menos um ano. Foi por esta época, ano passado que eu o vi pela primeira vez na Saraiva... Abracei-o! Foi mais forte do que eu. Nunca pensei que eu era destas que sai por aí abraçando dicionário. Mas sou e toda vez que eu o vejo, na Saraiva ou na Cultura, eu me colo a ele novamente, louca, desvairada, prometendo levá-lo para casa. O que me separa do meu lindo Houaiss laranja são uns parcos R$ 250,00 (ou R$ 230,00 se tiver o mais Cultura) que eu acabo sempre gastando em outras coisas (atualmente em material de construção). Bem, precisava de uma estante para colocar o Houaiss e de uma casa para colocar a estante. E por aí se esvai o meu rico dinheirinho, e o Houaiss adiado por mais um tempo.
Os Maias
Os Maias by José Maria Eça de QueirósMy rating: 4 of 5 stars
Terminei o livro e fiquei triste. Quem poderia prever?
O livro foi escrito de uma forma que não era para ter fim e sim continuar eternamente a descrever os fatos cotidianos da vida diletante dos fidalgos de Lisboa. O enredo, a trágica estória dos Maias, muitas vezes não passa de pano de fundo para se descrever hábitos e costumes, a criticar uma sociedade que se mostra prostrada, observando e admirando as outras culturas européias, perdida em sua tentativa de se equiparar a França (em elegância) e a Inglaterra (em objetividade, em técnica e conhecimento).
Podeira continuar a crítica e a crônica por mais alguns séculos e explicar porque no Brasil somos hoje como somos, não muito diferentes de Portugal do século XIX. Mas termina, de forma irônica, contrapondo romantismo e realismo, mostrando a crua percepção de que sonhamos mais do que estamos dispostos a fazer, sem contudo ser pessimista.
Talvez minha alma romântica quisesse mais sonho e menos crítica, mas adorei o livro e sobretudo a deliciosa narrativa do Eça.
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