23 de dezembro de 2010

The Name of the Rose (Vintage Classics)The Name of the Rose by Umberto Eco

My rating: 5 of 5 stars


I've started reading this book some months ago. It took me a while to read it not because I was not enjoying it but because it's a very dense book, full of meanings and many times dark and melancolic like the medieval times. So I had to pause from time to time. Eco uses a detective story to let us dive in the theological and political concepts that reigned in that period in time. A very thick story of monks and religion, inquisitor and heretics, showing us the mind set of people of that time, whom used relligion to gain control over other people, specially the said simple minded. No one is pure or rightful, they are all govern by pride or lust or corruption which makes a high contrast with the rational and skepict William of Baskerville who bring some light in this shadowed and dogmatic world.



I've really liked the discussions about poverty and it was really a shame it ended so badly (although completely within the moral standards for that time). It made a lot of sense to my optimistic and Utopic mind.



It is a book to be read many times to fully understand and appreciate its content with a higly beneficial secondary effect of trigging my imagination.



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4 de dezembro de 2010

Word of the day - in english

I love the word REALIZE and its meaning. Like in: I've just realized I have a survival need to write. Subtle and definite.

Writing...

I've just found out that I need to write. Kind of courious, because I always write. I never thought this was a survival need, but I have just realize it. The days I don't write I feel sad. I just don't know yet if I wish to be read. Well, I guess I do.

I failed miserably on the NaNoWri effort to write 50.000 words in November. I've written only 6.800. I knew I would failed. I had classes for two weeks in November which left me with no time besides working, feeding the dogs, managing my life and going to classes (i can't say I'm studying!). But I'm not worry. 6.800 words is a lot already and I'll keep writing. Right now, Joaquina is almost giving birth to Afonso, I have started on telling Eulália's motivations to life, Borba Aragão is on standby, and I need to start working with Eunice.

As many doubts come to me, like why am I writing a story that starts on Portugal in 1828, I know nothing about Portugal or habits in 1828, I keep the faith I can do it, somehow.

Quote of the day

Renata's favorite quotes


"I never could be so happy as you. Till I have your disposition, your goodness, I never can have your happiness."— Jane Austen

30 de novembro de 2010

1001 Livros para ler antes de morrer

1001 livros para ler antes de morrer1001 livros para ler antes de morrer by Peter Boxall

My rating: 4 of 5 stars


Good reference book for those who loves literature. Many good books were left out though.



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Eat, Pray, Love

Eat, Pray, LoveEat, Pray, Love by Elizabeth Gilbert

My rating: 3 of 5 stars


I read some very nasty comments about this book and I think I should defend it a little here. I had a prejudice with this book when it was launched, but reconsider it after reading some critics during the launch of the movies. I saw the movie and related to her quest so I decided to read the book.



Well, first of all, we should consider it talks about a life experience of a real person. Someone that was successful and rich but unhappy. After her divorce and a bad relationship she'd realized that she had lost herself (or that she was never sure about who she were). She decided to go on a one year trip, spending four months in Italy, India and Indonesia each on a quest to find pleasure, devotion and balance but above all, to find out what she really is and want. For someone that was always self-conscious and self-confident and have all the self-things in the proper place, this may be silly, but I believe there are a lot of people that are not happy and never ask themselves why, or if they do, they do not have the courage to do something about that. Well, she did, and she put her experience in a book. Maybe is a very private subject to put in a book, but it's good to know someone else experience on the same quest that you are.



This said, I should add that the writing becomes deeper and more interesting by the passage of time. In this way Italy was shallow, I wasn't to much attracted to the story, India becomes more complex and interesting as she faces her issues and Bali is more pleasant as she gets involved with other people issues.



Nor a life changing book nor a nobel prize but still fun to read.



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30 de outubro de 2010

Crônica da conta de luz

Era uma conta de luz cadastrada em débito automático no Unibanco. A vida era uma maravilha, todo mês alguém ia no endereço, verificava quanto de energia havia sido gasto e gerava um boleto. O boleto ia para o Unibanco e no dia do vencimento o valor devido era descontado da conta corrente da usuária.

Eis que um mês a usuária viajou e enquanto estava fora o mundo ficou de pernas para o ar. O Unibanco deixou de ser Unibanco e passou a ser Itaú e todos os bancos entraram em greve. Assim, quando a usuária voltou de viagem lá estava a conta de luz esperando ser paga.

Oh Deus!!

- Tem certeza que ão foi debitada automaticamente? Perguntou a usuária para a conta
- Infelizmente, não. respondeu a conta cabisbaixa.
- Tudo bem, não precisa se estressar, vamos na agência do Itau aqui no trabalho e pagamos rapidinho.

Na agência do Itau:
- O banco não aceita a conta da Coelba minha senhora.
- Ai, ai (já começando a sofrer pelo desconforto que vem por aí)!! E o débito automático?
- Se estava cadastrado no Unibanco então vai ser pago normalmente.
- Mas a conta venceu no dia 5 e não foi debitada.
- Minha senhora, não posso fazer nada. Você vai precisar pagar esta conta em outro lugar.
- Mas todo mês vai ser assim?
- Não, no mês que vem o débito automático já deve funcionar.

Frustrada, mas com confiança de que tudo se resolve, a usuária resolve pagar a conta em outro lugar. Estava no shopping e se lembrou que tinha um supermercado por lá e que eles aceitavam pagamento de contas no caixa. Legal! Vou resolver isto logo. Pensou a usuária. Perguntou ao caixa como poderia pagar a conta e este lhe respondeu que naquele momento o sistema estava fora do ar.

- Tudo bem, vamos tentar outro dia, falou a usuária para a conta de luz que já estava tristinha dentro da bolsa.

Alguns dias depois, munida de coragem e paciência a usuária resolveu ir numa casa lotérica pagar a conta. Lá chegando um funcionário vendo o boleto da dita empresa na mão da usuária lhe cutucou indicando o cartaz que dizia:

NÃO ACEITAMOS CONTA DA COELBA

- Poxa, logo essa, essa que eu tenho aqui na minha mão já meio amassadinha e tristonha?
- Desculpa-me minha senhora, mas você sabe que a Coelba não paga direito?
- Tá bom. Vou tentar em outro lugar.

Como estava com disposição e precisando de uma desculpa para não ir a academia a usuária foi ao supermercado novamente. Chegando lá confiante, a usuária foi direto num caixa perguntar como funcionava o pagamento de contas. A moça grunhiu e apontou. Não muito instruida na comunicação por grunhidos e gestos a usuária perguntou à caixa o que ela estava querendo dizer e esta lhe respondeu com a costumeira educação a seguinte informação:

- Ali.

A usuária é um pouco esperta e entendeu logo que não eram todas os caixas que aceitavam o pagamento de conta. Logo se dirigiu para o caixa adequado. Chegando lá, viu que tinha uma fila, mas como estava mesmo disposta a não perder o humor, resolveu encarar a fila num boa, distraindo-se com a internet do seu smartphone. O tempo passou rápido e logo era a sua vez.

- MInha senhora, não posso pagar a sua conta.
- Mas porque? respondeu a usuária mantendo a calma.
- Mas porque? perguntou a conta na mão da funcionária já tremendo de desespero.
- Esta conta não tem código de barras.
- Ah é! Falou a usuária! Devia ter sido descontada pelo débito automático!! Volto aqui amanhã, obrigada.

Já no carro a usuária consolou a conta de luz que a esta altura estava em prantos.
- Não se preocupe, chego em casa e imprimo uma 2a. via. Acordo cedo amanhã e antes de todos os compromissos venho até o supermercado de novo e pago sem problemas.

A conta estava mesmo desolada, suspirou e virou-se de lado, sentindo-se rejeitada.

Na manhã seguinte, 2a via impressa, a usuária se dirigiu confiante até o supermercado. A fila estava maior do que na noite anterior, mas com bom humor, pão de queijo e coca-cola na mão confiou de que seria rápido novamente. E foi, em menos de meia hora já estava sendo atendida. Aproximou-se do caixa e a conta de luz, já na sua roupa de 2a via sorriu confiante. A funcionária do supermercado esfregou o código de barras na leitora algumas vezes e desistiu, passando a conta para o outro caixa que também estava atendendo os pagamentos. Este por sua vezes esfregou a coitadinha mais algumas vezes e nada. A conta de luz debulhava-se em lágrimas. A usuária pediu:

- O senhor não pode digitar o código em vez de passar na leitora?
- Não minha senhora, porque nós não nos responsabilizamos por números digitados errados.

A usuária suspirou, a conta de luz revoltou-se, já querendo se rasgar.

- Calma, vamos ligar para Coelba e tentar resolver.
- Alô, estou tentando pagar a conta de luz e etc. Contou para a atendente todas as aventuras dos últimos dias. A ligação caiu. Tentou novamente e a atendente falou que entendia a situação mas estava sem sistema e não poderia ajudar. A usuária tentou mais uma vez e encontrou do outro lado uma alma mais caridosa que entendeu toda a problemática e explicou.

- O código de barras da 2a. via está errado porque devido a greve dos bancos o vencimento foi postergado gerando um código de barras novo. Por favor anote o nóvo código e tente ir numa agência dos correios ou numa farmácia.

A usuária anotou o novo código numérico já meio sem esperanças, e se direcionou a farmácia já que o correios da cidade onde ela mora não abre aos sábados. Chegando lá, uma funcionária sorridente veio lhe atender e prometeu que a conta seria paga desta vez. Tentou o código de barras, uma, duas, três vezes e nada. A pobre continha já chorava desesperada

- Eu quero ser paga! Eu quero ser paga!

A funcionária com paciência falou:

- Não se desespere, vou digitar o código numérico e tudo se acertará. Ela digitou o código novo e em alguns segundos a informação da conta apareceu na tela do computador. Ela informou o valor a usuária que prontamente lhe entregou. A conta foi autenticada e ambas, usuária e conta, saíram da farmácia aliviadas.

Moral da história: Se você já está sem água, não se desespere porque você pode também ficar sem luz.

28 de outubro de 2010

Críticas e Sugestões

Li e reli a postagem do primeiro capítulo e achei muito ruim. Agora que as coisas no trabalho e na vida pessoal acalmaram um pouco estou voltando a escrever.

Escrever um livro não é muito fácil não. Achei que entraria numa catarse e escreveria um montão de uma tirada só, da mesma forma como a estória principal se apresentou pronta depois de um final de semana. Mas acontece que eu vou criticando muito enquanto escrevo e a auto-crítica vai travando o processo. Importante é continuar, um pouco de cada vez e viver muito, que é para achar inspiração.

26 de maio de 2010

Capitulo 1 - A estória de Eulália e o nascimento de Afonso (Lisboa, 1828)

Era um dia frio de inverno na cidade de Lisboa. Durante mais de duas horas, chovia sem parar e não havia ainda sinal da parteira que havia mandado chamar ou do genro. Um dos dois havia de aparecer a qualquer momento. Dona Eulália não sabia mais o que fazer. Maria Joaquina estava a parir e Eulália já considerava fazer o parto ela mesma. Havia sim parido três filhos, mas a bem dizer, foi por forças das circunstâncias, pois nunca foi muito afeita nem a dores nem a sangue. Nas duas primeiras vezes havia desmaiado durante o parto e acordado com a criança já lavada em seus braços. Na terceira vez, justo quando Joaquina nascera, fora capaz de suportar as dores até o fim e até conseguiu ver, em meio as lágrimas de dor, a filhinha ainda ensanguentada nos braços da parteira.


Depois de Joaquina, nunca mais engravidara. Agradecia a Deus pelo fato e a umas ervas recomendadas às escondidas pela mãe, que se apiedou do pavor da filha com uma nova gravidez. O marido ao ver que a mulher não mais engravidava, se queixou por algum tempo. Dizia que os Borba Aragão eram conhecidos pela prole extensa, que era inconcebível que ela não lhe desse mais filhos, que ele se tornaria a vergonha da família, que o pai já estava a reclamar, mas logo se aquietou. Envolveu-se rapidamente a educar os filhos mais velhos , Eunice e João Alfredo, já em idade de alfabetização. Fazia questão de ler para eles livros complicadíssimos da sua extensa biblioteca. Os meninos se aborreciam, dormiam ou desatavam a brincar com as bordas das almofadas. Joaquim ralhava. Achava um absurdo a falta de interesse dos meninos e Eulália precisava intervir para que não os deixasse de castigo por muito tempo. O marido realizou-se porém com a filha caçula. Esta sim sempre foi estranha, desde o parto. Quando trouxeram-lhe a criança já lavada, a pequenina lhe arregalou os olhinhos. Nunca vira coisa tão estranha. Parecia que caçoava da mãe pela falta de coragem. Chorou uma coisa pouca e a ama lhe levou para dar de mamar. Eulália olhou para a janela do quarto, resmungou do cansaço, do trabalho de parir e pelo tempo lá fora, tão em contraste com seus sentimentos, sentiu-se injustiçada e jurou para si mesma que nunca mais teria outro filho.

Caso precisasse ajudar Joaquina no parto, temia que fosse mais uma vez perder as forças e desmaiar antes da criança nascer. Não tinha jeito, a filha teria que arranjar-se sozinha. O único parto que presenciara fora exatamente o desta filha e dele não tinha nehuma emoção alegre. Ademais, não suportava o cheiro de sangue. Havia sido sempre assim, desde criança. A visão de qualquer corte ou arranhão já se sentia fraca, o cheiro podre a penetrar-lhe as narinas, as pernas bambas, o suor frio e a visão turva. Por quase nada desmaiava. Aprendeu logo cedo a comportar-se de forma a nunca se machucar. Fazia todas as atividades com uma calma premeditada de forma que não precisasse fazer movimentos bruscos que a fizessem perder o equilíbrio. Sem dúvida, seus movimentos eram graciosos como uma bailarina. Evitava lugares movimentados e mal saía à rua. Preferia ficar em casa cuidando de sua toalete, conversando com a irmã ou tocando piano.

Era seu único prazer, o piano. Desde menina aprendera a reconhecer o calor das notas, a frieza das teclas e o ritmo suave das músicas. Praticava diariamente e por tanto sentimento e destreza acabou livrando-se dos afazeres domésticos. A mãe e a irmã lhe pediam que continuasse a tocar enquanto estas se entretiam no árduo trabalho de cerzir. Quando menina, Eulália parecia uma boneca. Os olhos azuis, os cabelos claros e cacheados, a pele alvíssima. Um bibelô delicado e frágil. Um mimo para os pais e os irmãos. Ninguém nunca lhe negara nada, nem tão pouco lhe causava algum desprazer. A bem dizer, era de uma constituição doce e gentil e tão meiga que era realmente impossível não lhe satisfazer os desejos. Por isto não foi de se espantar quando o austero Sr. Albuquerque Guimarães consentiu que a filha de 16 anos casasse com o jovem Joaquim Pedro Borba Aragão.

Fazia o gosto do pai casar as duas filhas no com os filhos caçula do velho Borba Aragão com quem tinha negócios em Portugal e com quem queria alargar a sociedade, de olho nos lucros que o sócio obtinha com seus negócios no Brasil. Senhor autoritário, de largas posses, diziam que o Borba Aragão era dono de imensas terras em Espanha, herança de família, e que enriquecia rapidamente com as iguarias que exportava do Brasil para a Europa. Comandou com mãos astutas o destino dos sete filhos e da única filha, garantindo para si e sua família direitos e concessões. O filho mais velho casou-se com uma senhora da casa de Castella e vivia na Espanha, mantendo assim o direito das suas posses as quais haviam sido usurpadas pelo primo espanhol. O segundo, conforme a tradição, ordenou-se padre e com um pouco de sorte, dinheiro e conexões, tornou-se arce-bispo da Igreja Católica na Itália. O terceiro tornou-se general do exército português. Para a única filha, Borba Aragão arranjou casamento com um conde da casa dos Bragança e girava na corte. Os dois que a seguiam em ordem de idade embarcaram para o Brasil para tocar os negócios do pai, um deles já de casamento marcado com a filha do vice-rei José Luis de Castro. Restou-lhe os dois filhos mais novos os quais mandou estudar na França a fazer carreira no magistrado. Interrompeu-lhes os estudos, quando depois de uma crise de gota , o velho Borba Aragão resolveu se aposentar e mandou chamar os filhos para tocar os negócios portugueses.

O Sr. Albuquerque Guimarães, ao saber do retorno dos dois moços Borba Aragão tratou logo de oferecer um jantar em homenagem aos jovens de 25 e 23 anos no qual os filhos da mesma idade e a filha de 22 também estavam presentes. João Ernane Borba Aragão, que estava animado em assumir os negócios do pai e desejava logo estabelecer-se em uma boa quinta em Lisboa, encantou-se com a desenvoltura e praticidade da jovem Ana Beatriz . Em poucas semanas os dois sócios já tratavam do casamento dos filhos, que deveria acontecer assim que uma boa residência fosse arrendada para a moradia do jovem casal.

Durante as visitas a noiva, João Ernane trazia consigo o irmão Joaquim Pedro, romântico idealista que nada queria saber dos negócios do pai, importando-se mais por política social e medicina. Nestes encontros Eulália estava sempre presente, juntamente com os irmãos mais novos a fazer companhia aos noivos. Foi-se acostumando ao convívio com Joaquim. O moço, encantado com sua doçura e beleza, lhe fazia agrados, mas tratava-a como criança.

Borba Aragão, logo percebeu um interesse romântico a jovem moça em relação ao seu filho mais novo. E sabendo da disposição do filho, da condição precária de sua saúde e na mulher que se beneficiaria de tão meiga companhia, pensou que seria melhor garantir-se de companhia e entretenimento, casando o filho mais novo com a pequena Eulália. Tão logo chegou a esta decisão, propos ao sócio Albuquerque Guimarães que fizessem um casamento duplo pedindo a mão da rapariga Eulália para o filho caçula. O moço Joaquim Pedro surpreendeu-se. Não havia pensado nesta hipótese e achava a menina ainda muito moça e fútil , visto que nunca a havia visto lendo ou fazendo qualquer outro serviço feminino além do piano, no entanto, devido às suas condições financeiras, concedeu aos desejos do pai. Eulália, por sua vez, iluminou-se. Desde o noivado da irmã deixara de ter a totalidade das atenções da casa e havia passado a apenas acompanhante. Mordia-se de ciúmes pela alegria do casal e nutria de grande admiração por Joaquim Pedro, que em sua meninice era-lhe a imagem de um príncipe com seu porte alto e sua fala pausada. Quando o pai veio lhe contar o absurdo da proposta do sócio, logo fez questão de mostrar-lhe que não lhe desagradava a idéia e que casar-se ao mesmo dia que a irmã era uma honra tão grande que não poderia furtar-lhe a benevolência do pai. Ainda incerto pela pouca idade da filha, Albuquerque Guimarães tentou argumentar um adiamento do casório para dois anos após, quando a moça já tivesse mais idade e mais destreza na lida de uma casa, mas diante da insistência do sócio e da impaciência da filha acabou consentindo. Foi assim que Eulália Cristina, de forma tão doce e ingênua, casou-se ao mesmo tempo que a irmã seis anos mais velha.

Perdida em seus pensamentos, Eulália mal prestava atenção à filha que já se preparava a fazer o parto sozinha. Joaquina andava pela casa dando ordens a criada a buscar toalhas brancas e a esquentar água. Parava, levava a mão a boca para suprimir o grito e seguia corajosamente a arrumar a cama para o parto. Olhava a mãe com o olhar perdido. Com certeza a relembrar com horror o nascimentos dos flhos. Sabia que mãe em nada lhe judaria, mas como esta veio lhe visitar de manhã, ficando até depois do almoço, não pode voltar a casa quando começou a chover. Esperava que o marido voltasse logo, ou que a parteira chegasse a qualquer momento. Não tinha medo de parir sozinha. Sabia exatamente o que fazer pois havia estado presente a todas as vezes em que a irmã Eunice dera a luz. Sabia como deveria proceder e orientava a criada a ajudá-la, mas preferia não ter que fazê-lo sozinha. A criada era muito nova e não lhe parecia muito corajosa. Não lhe preocupava a dor, sabia que iria suportá-la bem, mas temia ser necessário alguma ajuda para forçar a saída do bebê. Havia sido assim nos três últimos partos de Eunice e não fosse a experiência da parteira a irmã e os sobrinhos poderiam ter morrido. Bom, de nada adiantava a preocupar-se. Ainda tinha algum tempo e a parteira já havia sido avisada. De certo demorava pela chuva, mas logo estaria em casa. É certo que em condições normais, a parteira teria sido chamada a ficar a casa com antecedência, mas as contrações iniciaram apenas ontem e ainda lhe faltava quase um mês para o término da gestação. Imaginava que teria ainda mais algum tempo, mas o bebê apressou-se. Temia-lhe pela saúde. Não importava consigo, sabia que resitiria, mas temia que a criança sobrevivesse. Estava casada com Patrício havia cinco anos e depois de tanto tempo achava que nunca engravidaria. Não invejava a irmã, que já havia parido 8 vezes e a cada nova gestação parecia estar se tornando cada vez mais etérea e distraída, mas lamentava-se pela falta de um rebento seu, um filho que pudesse mimar como não o podia fazer com o marido. Tinha um casamento feliz, imaginava que o mais feliz de todas as suas conhecidas. O marido sempre lhe era atencioso e pouco se importava consigo mesmo. Por este motivo era difícil entender-lhe as vontades. Permitiu-lhe que continuasse a estudar e a escrever. Se nunca publicara seus livros não fora por falta de incentivo do marido, mas por uma inconsciente aquiescência ao preconceito da mãe. A mãe, tendo vivido sempre em meio a aristocracia, desprezava qualquer tipo de trabalho que uma mulher poderia exercer que não fosse unica e exclusivamente para fins domésticos, e apesar de escrever por prazer e recreação, caso passasse a publicar, estaria descendo na escala social e desagradando de uma vez por todas a mãe.

Esta nunca conseguiu lhe entender as motivações. Enquanto enaltecia as qualidades domésticas de Eunice ou as travessuras de João Alfredo, ria-se da seriedade com que Joaquina dedicava-se aos estudos e recomendações de leitura do pai. O pai não, sempre lhe incentivara e havia chegado a registrar Joaquina em uma escola para moças em Paris. O avô Borba Aragão proibiu. O velho, já moribundo, ainda fazia questão de mostrar quem mandava naquela casa. Intrometeu-se com o destino de todos os netos, da mesma forma que fez com os prórpios filhos. Calou-se por anos após a morte de João Alfredo e somente voltou a dar opinião na questão da educação de Joaquina. Ameaçou deserdar a todos caso Joaquim consentisse que a menina estudasse, pois já a considerava impertinente demais com tão pouca idade para arranjar algum marido digno.

11 de maio de 2010

Portugal for real

Foi dada  a largada para a minha viagem de férias. Não eram os planos, mas destino é destino e Portugal se impôs entre todas as possibilidades. Agora a tarefa é planejar e incluir dentre os planos um pouco de história, de pesquisa e de diversão.

21 de março de 2010

Portugal

Um dia, há muitos anos atrás, alguém que eu estimava muito foi a Portugal. E eu, por despeito sonhei, deitada numa rede, que não importava que eu tinha ficado para trás, eu seria feliz, naquela mesma cidade onde ele esta naquele momento, com uma outra pessoa que eu nem ainda conhecia. E me toquei a ouvir os CDs da Madredeus que era a minha última mania.

Morava eu ainda no Rio de Janeiro, cidade de onde eu nunca pensei sair. Se eu a deixei, foi porque o meu despeito foi maior do que eu pude suportar.

Hoje, moro no estado da Bahia. Um português que conheci recentemente me tocou exatamente a mesma música que me consolou naquele dia. Absorvi o momento com um sorriso nos lábios de quem viveu uma vida e se esqueceu do sonho. E  sonho se tornou desejável novamente.


Não é a toa que minha estória começa em Portugal. E com muito carinho quero que ela cresça.

31 de janeiro de 2010

Nomes Próprios

Em conversa com alguns amigos portugueses no sábado passado tomei posse da mais surpreendente informação: os nomes próprios em Portugal são controlados, ou seja, um pai só pode registrar um filho com um nome que já tenha sido usado anteriormente. Até a ortografia é verificada evitando-se registrar um Tiago por Thiago, um Felipe por Fillippi. Achei ótimo, assim evitam-se aberrações do tipo Celiomar, nome do qual escapei por pouco. No entanto, tenho agora o trabalho extra de verificar se meus personagens conseguiriam receber certidões de nascimento portuguesas.

Primeira grande modificação será trocar o nome do personagem Austragésimo, que estava a ponto de nascer em Lisboa de 1828 para Afonso (com um ou dois fs?). Eu já tão acostumada com ele, vou ter que dar um jeito de inverter a estória e deixar que ele nasça no Brasil onde não há regras.

Falando am Austragésimo, pobre Carlota que há meses espera, em trabalho de parto, minha atenção para finalmente fazer seu rebento nascer, agora Afonso. Mas foram tantos acontecimentos desde então. Descobri que Afonso crescerá em meio a uma Guerra Civil onde nosso "maluco" Imperador deposto Pedro I luta contra seu irmão D. Miguel pelo trono de Portugal, que anteriormente havia abdicado em favor da sua filha D. Maria da Glória. Que não tenho a menor idéia de que profissões eram permitidas (se alguma) as mulheres portuguesas no início do século XIX. E que médico ainda não era exatamente uma profissão. Puff!!
Quer saber, estou perdida. Mesmo minhas pequenas incursões na história de Portugal resultaram pouco frutífieras. Enquanto isto, Carlota, que não sei se poderá permanecer com este nome, continua em trabalho de parto a esperar pelo marido (médico?) que para falar a verdade, não vai poder fazer muita coisa, já que homens não deviam presenciar o parto naquela época.

HELP!!

16 de janeiro de 2010

Décadas de 1960 e 1970 - Realismo Fantástico

  1. Jorge Luis Borges
  2. Julio Cortázar
  3. Gabriel García Márquez (Cem Anos de Solidão)
  4. Isabel Allende - Chile (A Casa dos Espíritos)
  5. Mario Vargas Llosa - Peru
  6. Juan Rulfo - México
  7. Carlos Fuentes - México
  8. Octavio Paz - México
  9. Ítalo Calvino

 

Década de 1950: crítica ao consumismo

  1. Allen Ginsberg
  2. Jack Kerouarc
  3. Henry Miller (Sexus, Plexus, Nexus)
  4. Vladimir Nabokov (Lolita)

 

Década 1940: a fase pessimista

  1. Jean-Paul Sartre
  2. Simone de Beauvoir
  3. Albert Camus
  4. George Orwell (1984)
  5. Graciliano Ramos (Vidas Secas)
  6. José Lins do Rego (Fogo Morto)
  7. Raquel de Queiróz (O Quinze)
  8. Jorge Amado (O País do Carnaval)
  9. Vinícius de Moraes
  10. Carlos Drummond de Andrade
  11. Cecilia Meireles

Décadas de 1910 a 1930: fugindo do tradicional

  1. Ernest Hemingway
  2. Gertrude Stein
  3. William Faulkner
  4. S. Eliot
  5. Virginia Woolf
  6. James Joyce
  7. Mário de Sá-Carneiro
  8. Fernando Pessoa
  9. Cesar Vallejo
  10. Pablo Neruda
  11. Franz Kafka
  12. Marcel Proust
  13. Vladimir Maiakovski
  14. Euclides da Cunha - Brasil (Os Sertões)
  15. Monteiro Lobato
  16. Lima Barreto - Brasil (Triste Fim de Policarpo Quaresma)
  17. Augusto dos Anjos
  18. Mario de Andrade
  19. Oswald de Andrade
  20. Cassiano Ricardo
  21. Alcântara Machado
  22. Manuel Bandeira

 

Século VIX 2a. metade - Realismo

  1. Gustave Flaubert (Madame Bovary)
  2. Charles Dickens (Oliver Twist)
  3. Charlote Brontë (Jane Eyre)
  4. Emile Brantë (O Morro dos Ventos Uivantes)
  5. Fiodor Dostoievski
  6. Leon Tolstoi
  7. Eça de Queiroz
  8. Cesário Verde
  9. Antero de Quental
  10. Émile Zola
  11. Eugênio de Castro
  12. Camilo Pessanha
  13. Arthur Rimbaud
  14. Charles Baudelaire
  15. Machado de Assis - Brasil (Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista)
  16. Aluisio de Azedo - Brasil (O Mulato e O Cortiço)
  17. Raul Pompéia - Brasil (O Ateneu)
  18. Olavo Bilac
  19. Raimundo Correa
  20. Alberto de Oliveira
  21. Vicente de Carvalho
  22. João da Cruz e Souza (Missal e Broquéis)
  23. Alphonsus de Guimaraens

Século XIX 1a. metade - Romantismo

  1. Almeida Garett
  2. Alexandre Herculano
  3. Camilo Castelo Branco
  4. Giacomo Leopardi
  5. James Fenimore Cooper
  6. Edgard Allan Poe
  7. José de Alencar - Brasil (O Guarani)
  8. Gonçalves de Magalhães - Brasil (Suspiros Poéticos e Saudade)
  9. Castro Alves - Brasil (Espumas Flutuantes)
  10. Gonçalves Dias - Brasil (Gonçalves Dias)
  11. Casimiro de Abreu - Brasil
  12. Álvares de Azevedo - Brasil
  13. Junqueira Freire - Brasil
  14. Teixeira e Souza - Brasil

 

Século XVII - Neoclassicismo

  1. Montesquieu - França
  2. Voltaire - França
  3. Denis Diderot - França
  4. D'Alembert - França
  5. Jean Jacques Rouseeau - França
  6. Alexander Pope - Inglaterra
  7. John Dryden - Inglaterra
  8. William Blake - Inglaterra
  9. Daniel Defoe - Inglaterra (Robson Crusoe)
  10. Jonathan Swift - Inglaterra (As Viagens de Gulliver)
  11. Samuel Richardson - Inglaterra (Pamela)
  12. Henry Fielding - Inglaterra (Tom Jones)
  13. Laurence Sterne - Inglaterra (Tristran Shandy)
  14. ?? As Mil e uma Noites
  15. Claudio Manuel da Costa - Brasil
  16. Basílio da Gama - Brasil (O Uraguai)
  17. Tomás Antoniio Gonzaga - Brasil (Cartas Chilenas e Marília de Dirceu)
  18. Frei José de Santa Rita Durão - Brasil (Caramuru)

Século XVII - Contra-reforma

  1. Jacques Bossuet - França
  2. Luis de Gôngora - Espanha
  3. Francisco de Quevedo - Espanha
  4. John Donne - Inglaterra
  5. John Milton - Inglaterra (O Paraiso Perdido)
  6. Bento Teixeira - Brasil (Prosopopéia)
  7. Gregório de Matos Guerra - Brasil (Boca do Inferno)
  8. Padre Antonio Vieira - Brasil (Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes)

Século XVI - Classicismo:

  1. François Rabelais - França
  2. Miguel Montagne - França
  3. William Shakespeare - Inglaterra
  4. Miguel de Cervantes - Espanha (Dom Quixote de La Mancha)
  5. Padre José de Anchieta - Brasil
  6. Pero Vaz de Caminha - Brasil

 

Século XIV e XV - Humanismo:

  1. Dante Alighieri -Itália (A Divina Comédia)
  2. Giovanni Bocaccio - Itália
  3. Francesco Petrasca - Itália
  4. Gil Vicente - Portugal (A Farsa de Inês Pereira)

Século XII a XIV - Trovadorismo

Século XI - Chansons de Roland e Lendas Arturianas

Séculos III a X

Séculos I a.C. a II d.C. - Romanos:

  1. Lucrécio
  2. Catulo
  3. Cícero
  4. Horácio
  5. Ovídio
  6. Virgílio (Eneida)
  7. Sêneca
  8. Petrônio
  9. Apuleio

Séculos VIII a.C. a II a.C. - Gregos:

  1. Ésquilo (Aeschylus)
  2. Sófocles
  3. Homero (Ilíada e Odisséia)
  4. Heródoto (Histórias)
  5. Esopo (Fábulas de Esopo)
  6. Píndaro
  7. Safo
  8. Anacreonte

Classicos

Encontrei em algum Blog uma estória sobre os 100 livros mais populares.. Bom eu estou a fim de montar uma lista com os livros clássicos que eu não posso deixar de ler. Então para começar, eu editei a lista da BBC/Guardian
  1. Pride and Prejudice, Jane Austen
  2. Jane Eyre, Charlotte Brontë
  3. Wuthering Heights, Emily Brontë
  4. Rebecca, Daphne du Maurier
  5. The Catcher in the Rye, JD Salinger
  6. Great Expectations, Charles Dickens
  7. Little Women, Louisa May Alcott
  8. Captain Corelli's Mandolin, Louis de Bernieres
  9. War and Peace, Leo Tolstoy
  10. Gone with the Wind, Margaret Mitchell
  11. Alice's Adventures In Wonderland, Lewis Carroll
  12. One Hundred Years Of Solitude, Gabriel García Márquez
  13. David Copperfield, Charles Dickens
  14. Treasure Island, Robert Louis Stevenson
  15. Persuasion, Jane Austen
  16. Emma, Jane Austen
  17. The Great Gatsby, F Scott Fitzgerald
  18. The Count Of Monte Cristo, Alexandre Dumas
  19. A Christmas Carol, Charles Dickens
  20. The Shell Seekers, Rosamunde Pilcher
  21. The Secret Garden, Frances Hodgson Burnett
  22. Of Mice And Men, John Steinbeck
  23. Crime And Punishment, Fyodor Dostoyevsky
  24. A Tale Of Two Cities, Charles Dickens
  25. Perfume, Patrick Süskind
  26. Ulysses, James Joyce
  27. Bleak House, Charles Dickens
  28. Brave New World, Aldous Huxley
  29. The Godfather, Mario Puzo
  30. Love In The Time Of Cholera, Gabriel García Márquez
  31. Three Men In A Boat, Jerome K. Jerome 
  32. Dracula, Bram Stoker
  33. Les Misérables, Victor Hugo
  34. The Picture Of Dorian Gray, Oscar Wilde
  35. Vanity Fair, William Makepeace Thackeray
  36. The Hound Of The Baskervilles, Arthur Conan Doyle
  37. East Of Eden, John Steinbeck
  38. The Color Purple, Alice Walker
  39. Sleepovers, Jacqueline Wilson
  40. The Green Mile, Stephen King
  41. Moby Dick, Herman Melville
  42. Frankenstein, Mary Shelley
  43. The Old Man And The Sea, Ernest Hemingway
  44. The Name Of The Rose, Umberto Eco
  45. Sophie's World, Jostein Gaarder
  46. The Little Prince, Antoine De Saint-Exupery
  47. Oliver Twist, Charles Dickens
  48. The Unbearable Lightness of Being, Milan Kun
  49. Complete Works of Shakespeare William Shakespeare
  50. The Time Traveler's Wife Audrey Niffenegger
  51. Anna Karenina Leo Tolstoy
  52. One Hundred Years of Solitude Gabriel Garcia Marquez
  53. Sense and Sensibility Jane Austen
  54. Emma Jane Austen
  55. Madame Bovary Gustave Flaubert
  56. Charlotte's Web EB White
  57. The Three Musketeers Alexandre Dumas
  58. Hamlet William Shakespeare
  59. Dom Quixote Miguel de Cervantes
  60. Voyage au centre de la Terre Jules Verne
  61. Vingt mille lieues sous les mers Jules Verne
  62. Le Tour du Monde en quatre-vingts jours Jules Verne
Tenho que fazer uma lista dos autores que preciso ler. Quem sabe 1 por ano?

15 de janeiro de 2010

As maluquices do Imperador

Ótica Feminina

E é claro a maluquice não tem fim, porque eu resolvi que deveria ler mais autrores portugueses da época para melhor me ambientar. Viajar para Lisboa também é uma excelente opção, mas para começar eu resolvi ler Jane Austen.

Ela é inglesa, né, tem tudo a ver, afinal Portugal e Inglaterra eram amigos... mas vá lá, talvez eu queira trazer para o livro um pouco da história de emancipação das mulheres. Na minha estória, ou pelo menos ate agora, nenhuma mulher vai sair de Portugal e vir para o Brasil. Mas pode ser uma opção... afinal a Pincesa Leopoldina e depois a Maria Amélia não se meteream num barco e vieram para o Brasil casar com o destrambelhado do D. Pedro? Falo isto porque o cara era animado.

Estou terminando de ler 1808-1834 As Maluquices do Imperador e as estórias são hilárias... Como dizem por aí, o cara é sem noção.

Voltando ao assunto, não deve ter nenhuma mulher portuguesa vindo ao Brasil, nem sei com traçar um paralelo entre costumes sociais entre Portugal e Brasil em 1800, mas o gancho de falar sob uma ótica feminina me parece excelente. Quando comecei a pensar na estória, Ataíde era o herói e Isabel apenas uma menina, mas agora com o que eu bolei no desenrolar da trama, e pensando muito bem, acho mesmo que Isabel é a heroína. Então, tá combinado, vai ser um livro sob a ótica feminina.

Esqueçam quase tudo

Bem. Comecei a escrever a estória e já mudei todos os personagens. Pois então esqueçam a postagem anterior. Talvez eu mantenha os nomes ainda, ou somente alguns. Agora que escrevi algumas páginas, acho melhor deixar para descrever os personagens quando o texto estiver mais maduro. Por enquanto, tudo ainda é meio frustrante porque eu vou construindo o que quero escrever e tudo vai se revirando.

Este surto criativo é muito louco. Porque a estória da Nau Vespertina está toda na minha cabeça, mas eu resolvi que precisava escrever sobre os antepassados dos personagens principais para justificar um monte das maluquices da estória. E assim, uma estória que deveria iniciar na década de 1920 e acabar em 1940 já voltou no tempo até 1828. E pior, em Lisboa, lugar onde eu nunca pisei. Estou sem saber o que fazer, porque ás vezes quero escrever algo meio maluco, misturando fatos históricos reais com invenções descabidas. Ás vezes acho que tenho que escrever uma estória mais comportada. Estou chegando quase a conclusão é que devo mesmo é começar a escrever. Qualquer coisa e ver onde dá.

Pois então eu comecei e me achei uma farsante por estar em Lisboa em 1828 e não saber nada do que está acontecendo por lá. Aliás, nem sei se as mulheres podiam trabalhar nesta época em Portugal.

Resolvi estudar história. E voltei mais no tempo ainda: Paleolítico e quando estava estudando o Paleolítico acabei indo parar no Big Bang. Ótimo, daí acho que não tem mais como voltar para trás. Mas desta forma vou escrever um texto bíblico e não um romance.

Bom, vou estudar história, à parte, e violão e cerâmica e história portuguesa e Jane Austen e os livros clássicos que eu nunca li e deveria e não vou pedir demissão do meu emprego... porque de alguma forma tenho que pagar por tudo isto. Legal que o meu prazo são 4 anos... e como já se passaram quase seis meses quando eu comecei a pensar no livro, eu vou recomeçar o cronômetro e estipular meu prazo de conclusão da Nau Vespertina para dezembro de 2014 (bem que pode ser no meu aniversário, ou antes, para que eu possa comemorar meu aniversário com o dever cumprido).

Então é isto. Apaguem tudo e comecem de novo.